img Os Maias  /  Chapter 4 No.4 | 23.53%
Download App
Reading History

Chapter 4 No.4

Word Count: 7844    |    Released on: 06/12/2017

a o dr. Trigueiros houvera sempre n'aquelle

s, lia?as de intestinos, cabe?as de perfil ?com o recheio á mostra?. Uma noite mesmo rompera pela sala em triumpho, a mostrar ás Silveiras, ao Euzebio, a pavorosa lithographia de um feto de seis mezes no utero materno. D. Anna recuou

nt?o que tem? diz

da Maia!? exclamou D.

e é a ignorancia... Deixar lá o rapaz. Tem curiosidade de saber

rlos come?ou a apparecer-lhe como um libertino ?que já sabia coisas?; e n?o conse

e, lamentando, sim, que n?o houvesse mais recato, concordavam q

esto prophetico o dr. Trigueir

ecia

vendo alvejar entre as dobras d'um casaco o riso d'uma caveira: e se algum criado da quinta adoecia, lá estava Carlos logo revolvendo o caso em velhos livros de medicina da livraria

s senhoras sobretudo lamentavam que um rapaz que ia crescendo t?o formoso, t?o bom cavalleiro, viesse a estragar a vida receitando emplastros, e sujand

a profiss?o é para a exercer com sinceridade e com ambi??o, como os outros. Eu n?

lhe parece a v. exc.a que ha outras coisas, importantes tambem,

que a occupa??o geral é estar doente, o maior se

ara tudo, murmurou respe

linica, as existencias que se salvam com um golpe de bisturí, as noites veladas á beira de um leito, entre o terror de uma familia, dando grandes bat

?as de cottage inglez, ornada de persianas verdes, toda fresca entre as arvores. Um amigo de Carlos (um certo Jo?o da Ega) poz-lhe o nome de ?Pa

lia Proudhon, Augusto Comte, Herbert Spencer, e considerava tambem o paiz uma choldra ignobil-os mais rigidos revolucionarios come?aram a vir aos P

k, lado a lado, o Serra Torres, um monstro que já era addido honorario em Berlim e todas as noites punha casaca, e o

aziam um whist sério: e no sal?o, sob o lustre de crystal, com o Figaro, o Times e as Revistas de Paris e de Londres espalhadas pelas mesas, o Gamacho ao piano tocando Chopin ou Mozart, os litteratos estirados pelas poltronas-havia ruidosos e ardentes cavacos, em que a Democracia, a Arte, o Positivismo, o Realismo,

, a pintura a oleo: e compoz contos archeologicos, sob a influencia da Salammb?. Além d'isso todas as tardes passeava os seus dois cavallos. No segundo anno levaria um R se n?o fosse t?o conhecido e rico. Tremeu, pensando no desgosto do av?: moderou a dissipa??o intellectual, aca

o, regelavam a sala. Pouco a pouco, porém, vendo-o apparecer em chinelas e de cachimbo na boca, estirar-se na poltrona com ares sympathicos de patriarcha bohemio, discutir arte e litteratura, contar anecdotas do seu tempo d'Inglaterra e d'Italia, come?aram a consideral-o como um camarada de ba

luxo dormiam sob os castanheiros. Mas a existencia n'este meio rico n?o era agora t?o alegre: a viscondessa, cada dia mais nutrida, cahia em somnos congestivos logo depois do jantar; o Teixeira primeiro, a Gertrudes depois, tinham morrido, ambos de pleurizes, ambos no entrudo: e já se n?o via tambem á mesa a bondosa face do abbade, que lá jazia sob uma cruz de pedra, entre os goivos e as rosas de todo o anno. O dr. juiz de direito com a sua concertina passára para a Rela??o do Porto; D. An

o?o da Ega, a quem Affonso da Maia se affei?oára muito, por elle e pela sua originalidade, e por ser sobr

uma no??o vaga do que o Jo?ozinho fizera, todo esse tempo, em Coimbra. O capell?o affirmava-lhe que tudo havia de acabar a contento, e que o menino seria um dia doutor como o papá e como o titi: e esta promessa bastava á boa senhora, que

das terras, o culto de Satanaz. O esfor?o da intelligencia n'este sentido terminou por lhe influenciar as maneiras e a physionomia; e, com a sua figura esgrouviada e sêcca, os pêllos do bigode arrebitados sob o nariz adunco, um quadrado de vidro entalado no olho direito-tinha realmente alguma coisa de rebelde e de satanico. Desde a sua entrada na Universidade renovára as tradi??es da antiga

oneca e por uns lindos olhos verdes. A ella o que a fanatisára f?ra o luxo, o groom, a egoa ingleza de Carlos. Trocaram-se cartas; e elle viveu semanas banhado na poesia aspera e tumultuosa do primeiro amor adult

perninhas r?xas de frio, e rindo na clara luz-rindo todo elle, pelos olhos, pelas covinhas do queixo, pelas duas rosas das faces. O pae amparava-o; e o encanto, o cuidado com que o rapaz ia assim guiando os passos do seu filho, impressionou Carlos. Era no momento em que elle lia Michelet-e enchia-lhe a alma a venera??o litteraria da santidade domestica. Sentiu-se

nacion. Carlos alugou-lhe ao mez uma vittoria com um cavallo branco e Encarnacion fanatisou Coimbra como a appari??o d'uma Dama das Camelias, uma fl?r de luxo das civilisa??es superiores. Pela Cal?ada, pela est

estudante de theologia, rude e sebento transmontano, quiz casar com ella. Apesar das instancias de Carlos, Encarnacion recus

m os Medina-C?li: os seus sapatos de setim verde eram t?o antipathicos como a sua voz estridula: e quando tentava elevar-se ás conversa??es que ouvia, rompia a chamar ladr?es aos republicanos, a celebrar os tempos de D. Isabel, a sua g

no Theatro Academico. Ahi estava, emfim, um pretexto! E, convenientemente paga, a parenta dos Medina-C?li, o

vára o seu ultimo R no seu ultimo anno, n?o descansou, em mangas de camisa, pendurando lanternas venezianas pelos ramos, no trapesio e em roda do po?o, para a illumina??o da noite. Ao jantar, a que assistiam lentes, Villa?a, enfiado e tremulo, fe

segundo as circumstancias! A que parte remota d'estes reinos n?o chegou já a fama do seu genio, do seu dog-cart, do sebaceo accessit que lhe ennod?a

arvores do quintal, na sala atulhada de pilhas de pratos, os criados correram com salvas de d?ce, n?o cessou d'estal

oisa, ter

iera de Inglaterra, onde andava, dizia elle, a estudar a admiravel organisa??o dos hospitaes de crian?as. Assim era: mas passeava tambem por Brighton, apostava nas corridas de Goodwood, fazia um idyllio errant

, outras de instrumentos e apparelhos, toda uma bibliotheca e todo um laborator

ndes idéas de trabalho,

am magro e triste. E o cora??o batia-lhe forte, na linda manh? de outono, quando do terra?o do Ramalhete, de binoculo na m?

o Villa?a-n?o se fartavam d'admirar ?o bem que a viagem fizera a

'elle e mais graves. Trazia a barba toda, muito fina, castanho-escura, rente na face, agu?ada no queixo-o que lhe dava, com o bonito bigode arqueado aos cantos da boca, uma physionomia de bello cavalleiro da Renascen?a. E o av?, cujo

omento de silencio em que Carlos estivera bebendo

do e pousando o copo. Descan?ar primeiro

obiando com enthusiasmo. Pelo ch?o, pelos sophás, alastrava-se toda uma litteratura em rumas de volumes graves; e aqui e além, por entre a palha, através das lonas

tu accommod

balhos chimicos, uma sala disposta para estudos anatomicos e physiologicos, a sua bibliot

minavam-se ouvindo e

ro, Carlos! Nós fizemos n'estes ultimos

alavras, av?! Rep

tensas e vagas; ora pensava n'uma larga clinica; ora na composi??o macissa de um livro iniciador; algumas vezes em experiencias physiologicas, pacientes e reveladoras... Sentia em si, ou suppunha sentir, o tumulto de uma for?a, sem lhe discernir a linha d'applica??o. ?Alguma cousa de brilhante,? como elle dizia: e isto para elle, hom

o; e o procurador, muito lisongeado, jurou uma diligencia incan?avel

to dar consultas, mesmo gratuitas, como caridade e como pratica. Ent?

a de apparelhos, machinas, cous

mou Affonso. Já meu pae dizia:

u senhor, affirmou o proc

ra o laboratorio, um antigo armazem, vasto e retirado,

, n?o é aqui, nem acolá; é n

o seu anniversario natalicio vinha annunciado no Illustrado, ou quando no Centro citava com applauso a Belgica) parecia-lhe que tantas aptid?es mereciam do seu partido uma cadeira em S. Bento. Um consultorio

grava com o seu papel verde de ramagens prateadas, as plantas em vasos de Rouen, quadros de muita c?r, e ricas poltronas cercando a jardineira coberta de collec??es

alhete, o Cruges, o marquez de Souzellas, com quem percorrera a Italia-vieram vêr estas maravilhas. O Cruges correu uma escala no piano e achou-o abominavel; Taveira absorveu-se nas photographias d'actrizes; e a

cal

ar o consultorio nos jornaes; quando viu porem o seu nome em letras grossas, entre o de uma eng

ormar aquelle espa?o em fresco jardinete inglez; e a porta do casar?o encantava-o, ogival e nobre, resto de fachada d'ermida, fazendo um accesso veneravel para o seu sanctuario de sciencia. Mas dentro os trabalhos arrastavam-se sem fim; sempre um vago martellar pregui?oso n'uma poeira alvadia; sempre as mesmas co

sonho, de fallar doce, muito barbeado, muito lavado, que morava ao pé do Ramalhete, e tinha no bairro fama de republicano. Carlos, por sympathia, como visinho, apertava-lhe sempr

s, olhando a fresca, honrad

um navio, um s

na

asse pela barra fóra o rei, a familia real, a cambada dos minis

ás vezes argume

mo t?o exactamente diz, desapparecesse pela barra fóra, fic

primida a cambada, n?o via s. ex.a? Ficava o paiz desatravancado; e

sa gente; é muita somma de ignorancia. N?o sabem. N?o s

o relogio e despedindo-se d'elle com um valente shakehands, veja s

a vêr a differen?a, respondia o

o av? já na sala de jantar, acabando de percorrer algum jornal junto ao fog?o, onde a tepida suavi

os apainelados corriam scenas de ballada, ca?adores medivaes soltando o falc?o, uma dama entre pagens alimentando os cysnes de um lago, um cavalleiro de

de ramo. Era alli, no aroma das rosas, que o veneravel gato gostava de lamber, com o seu vagar estupido, as sopas de leite servidas n'um covilhete de Strasburgo, depois agachava-se, tr

heiro de mau genio, todo bonapartista, muito parecido com o imperador, e que se chamava Mr. Theodore. Os almo?os no Ramalhete eram sempre delicados e longos; depois, ao café, ficavam ainda conversand

, ao trabalh

, invejava-lhe aquella occupa??o, emquant

iver acabado, talvez vá para lá pas

rande chimico. O a

ho so

o dá nada, filho. Es

ylonia? perguntava Carlos, abotoand

a de tr

prova

no phaeton com que maravilhava Lisboa, Carlos lá pa

rno da jardineira estendiam os seus bra?os, amaveis e convidativas; o teclado branco do piano ria e esperava, tendo abertas por cima as Can??es de Gounod; mas n?o apparecia jámais um doente. E Carlos,-exactamente como o creado que, na ociosidade da antecama

e cidade pregui?osa, esse ar avelludado de clima rico, pareciam ir penetrando pouco a pouco n'aquelle abafado gabinete e resvelando pelos velludos pesados, pelo verniz dos moveis, envolver Carlos n'uma indolencia e n'uma dormencia... Com a cabe?a na almofada, fumando, alli ficava, n'essa quieta??o de sesta, n'um scismar que se ía desprendendo, vago e

rro? ía pergun

luvas, descia, bebia um largo sorvo de luz e a

per

dos Dois Mundos na m?o, elle ouviu um rumor na antecamara, e logo

a Real est

Carlos, dando um

m do outro, beijando-s

o cheg

vidro, e entalando-o emfim no olho. Caramba! Tu vens esplendido d'esses Londres, d'essas civi

abra?ando-

vens tu, d

O figado, o ba?o, uma infinidade de visceras compromet

do Ega em Lisboa... Ega vinha para sempre. Tinha dito do alto

ga julho, e apparece nos arredores uma epidemia de anginas. Um horror, creio que vocês lhe chamam diphtericas... A mam? salta immediatamente à conclus?o que é a minha presen?a, a presen?a do atheo, do demagogo, sem jejuns e sem missa, que offendeu Nosso Senhor e attrahiu o flagello. Minha irm? concorda

epide

me?ando a puxar devagar dos dedos m

a frisada na testa; e na gravata de setim uma ferradura de opalas! Era outro Ega, um Ega dandy, vistoso, parament

extraordin

lli?a, uma sumptuosa pelli?a de principe russo, agasalho de trenò e de neve, ampla, longa, com alamares trespassados á Br

o-se, abrindo-a, exhibindo a opulencia do forro. M

s tu suppo

ada, mas tenho a

do o sapato de verniz muito bicudo, e,

conta-me lá... Te

s, de altas idéas de trabalh

terrompendo-o, erguendo-se para ir apalpar o velludo dos r

illa?a é que

astos bolsos da pelli?a, inventaria

ma, é a c?r esthetica... Tem a sua express?o propria, ent

doentes, de vagar, de luneta

Carlos! O papel é bonito..

Rouen, interessou-o. Queria saber o pre?o de tudo; e diante do piano, olhando

me apparece! A Barcaroll

la jeun

ez-vous

voi

ouco... Era a nos

lama??o, e crusando o

Cohen, que estava tambem na Foz, de quem tu, em cartas successivas, verdadeiros poemas, qu

ga. E limpando negligentemente o

nhecer, um que é director do Banco Nacional... Démos-nos bastante. é sympat

passeiando, puchando o lume

e fazem vocês no Ramalhete? O a

le?o, sempre de rosa ao peito, e frisando ainda os bigodes... Ia o Sequeira, cada vez mais

. Refugiado?

om o sello real da Filandia, que o pobre Villa?a aturdido, para se desembara?ar, remetteu-o ao av?. O av?, desnorteado tambem, offereceu-lhe as cocheiras de gra?a. St

é su

ntleman, enthusiasta da Inglaterra, grande entendedor de vinhos

e ra

Tribunal de Contas: um Cruges, que o Ega n?o conhecia, um diabo adoidad

ha mu

um covil de solteir?es.

. Um apo

temos tambem o Silveirinha, chego

sende, o

ira, ainda um bocado thisico, tod

quilla e solida felicidade que Carlos já n

um cenaculo, uma bohemiasinha dourada, umas soirées de

que tenho ou

l conhecer o Craft! O Craft era simplesmen

, uma especi

forte como a de Craft, n?o podia explical-a sen?o pela doidice. O Craft era um rapaz extraordinario!... Agora tinha elle cheg

iante do Po

, um Nababo, que lhe deixou a fortuna. Uma grande fortuna. Mas n?o negoceia, nem sabe o que isso é. Dá largas ao seu temperamento byroneano, é o que faz. Tem viajado por todo o universo, collecciona obras d'arte,

enta pelli?a, e apparec

nada por baixo? excla

para o effeito moral, para impressionar o

anisava-se um Cenaculo, um Decameron d'arte e dilletantismo, rapazes e mulheres-tres ou

ico: uma n?o tinha creada e queria levar comsigo para a festa uma tia e cinco filhos; outra temia que, acceitando, o brazileiro lhe tirasse a mezada; uma consentiu, mas o amante, quando soube, deu-lhe uma có?a. Esta n?o tinha vestido para ir; aquella pretendia que lhe garantissem uma libra; houve uma que se escandaliso

tens t

industrias, modas, maneiras, pilherias, tudo nos vem em caixotes pelo paquete. A civilisa??o custa-nos carissima com os direitos da alfandega: e é em segunda m?o, n?o foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas

r ao vibrar as suas grandes phrases, n'uma lucta constante com o monocolo, que lhe caía do olho, que elle procurava pelo peito, pelos hombros, pelos rins, retorcendo-se, deslocando

pelissa, sepultou-se n'ella, agu?ou o bigode ao espelho, verificou a pose,

hava esplendido e o ia segui

sal, esse

ersal, queria que elle

me co

vaes hoje lá j

tido com a besta do Cohen..

, voltou-se, entalou o m

o dizer-te, vou pu

mpto? exclamou C

ado, á broc

ro do Ega como devendo iniciar, pela fórma e pela idéa, uma evolu??o litteraria. Em Lisboa (onde elle vinha passar as ferias e dava ceias no Silva) o livro f?ra annunciado como um acontecimento. Bachareis, contemporaneos ou seus condiscipulos

eira folha de planta que surgiu da crosta ainda molle do globo. Desde ent?o, viajando nas incessantes transforma??es da substancia, o atomo do Ega entrava na rude structura do Orango, pae da humanidade-e mais tarde vivia nos labios de Plat?o. Negrejava no burel dos santos, refulgia na espada dos heroes, palpitava no cora??o dos poetas. Gota de agua nos lagos de Galiléa, ouvira o fallar de Jesus, aos fins da tarde, quando os apostolos recolhiam as redes; nó de madeira na tribu

ma B

Download App
icon APP STORE
icon GOOGLE PLAY