rda até ao molle paiz de romanza, Napoles, branca sob o azul. Era lá que tencionavam passar o inverno, n'esse ar sempre tepido junto a um mar sempre manso, onde as pregui?as de noivado teem uma
m d'isso, aquella velha Italia classica enfastiava-a já: tantos marmores eternos, tantas madonas come?avam (como ella dizia pendurada languidamente do pesco?o de Pedro) a d
para F
Maria. De noite accordava com a Marselheza; achava um ar feroz á policia; tudo permanecia triste; e as duquezas, pobres anjos, ainda n?o ousavam vir ao Bois, c
pelos novos uniformes da garde-mobile fazia Pedro nervoso. E quando ella appareceu gravida, anciou p
tir porém es
ado o casamento, aquella partida triumphante para Italia, para lhe mostrar bem que nada valiam genealogias, avós godos, brios de familia-deante dos seus bra?os nus... Agora porém que ia voltar a Lisboa, dar soirées, crear c?rte, a reconcilia??o tornava-se indispensavel; aquelle pae reti
a acariciando os cabellos de Pedro. Dize-lhe que se tiver um pequeno
em torno do ber?o d'aquelle pequeno Maia que alli vinha, morgado e herdeiro do nome... Contava-lhe a sua felicidade, com uma effus?o de namorado indiscreto: a histor
emfica. Dois dias antes o pae partira para S.ta Olavi
a e c?r de rosa, com os bellos olhos negros dos Maias. Apesar do desejo de Pedro, Maria n?o a quiz crear; mas adorava-a com phrenesi; passava dias de joelhos ao pé do ber?o, em extasi, correndo as suas m?os
da Maia. Considerava-se ent?o insultada em si mesma e n'aquelle cherubim que lhe
ente: e deante d'aquella face abrazada, onde entre lagrimas os olhos
pae,
mo uma concubina! Podia ser um fidalgo, as maneiras e
ada n'ella, romperam as qu
uem te quer! Tens só a tua m?e!
Pedro correu, envolveu-as ambas no mesmo abra?o, já en
, que come?avam agora a frequentar Arroios, riam d'aquella obstina??o de pae gothico, amuado na provincia, porque sua nora n?o tivera avós mortos em Aljubarrota! E on
ntre as rendas do seu ber?o, sensibilisou-se, veio-lhe uma das suas faceis lagrimas,
es! disse Maria, dando deante do espelho um lindo g
ricamente remobilada. E as senhoras que outr'ora tinham horror á negreira, a D. Maria da Gama que escondia a face por traz do leque, lá vieram todas, amaveis e decotada
isboa: ceiava-se á uma hora com Champagne; talhava-se até tarde um monte forte; inventavam-se quadros vivos, em que Maria se mostrara soberanamente bella sob as roupagens classicas de Helena ou no luxo sombrio do luto oriental de
pá Monforte, d'alta gravata branca, com as m?os atraz das costas, rondando pelos cantos, refugiado pelos v?os das janella
de Arroios, com a sua radiante figura de Juno loira, os diamantes das tran?as, o eburneo e o lacteo do collo nu, e o rumor das grandes s
valor de propriedades!... Podia fazel-o! o marido era rico, e
ltava as suas phrases ressoantes, por esses sophás arrastava as suas poses de melancolia. Ia dedicar a Maria (e nada havia mais extraordinario que o tom langoroso e plangente, o olho turvo, f
ite no explen
tran?as volt
o as peiores, affirmavam que os seus favores nunca teriam passado de alguma rosa dada n'um v?o de janella, ou de algum longo e suave olhar por traz do leque. Pedro todavia come?ava a ter horas sombrias. Sem sentir ciumes, vinha
m furor o charuto: e ahi, era em toda a sua al
as nuvens?, como ella dizia. Corria para elle,
u, amor? Es
o estou
t?o para
'uma caricia lenta e quente, dos pulsos aos hombros; depois, com um lindo olhar, est
do para lá como se estivesse no seu jazigo. Já se n?o fallava d'élle; em Arroios, D.
a optimo; tinha agora um cosinheiro francez explendido; St.a Olavia
a-se! ia elle dize
liz em St.a Olavia; porque nunca cessara de tremer á idéa de ver em
ra??o de Pedro a imagem do pae abandonado n'aquella tristeza do Douro. Fallou a Maria de reconcilia??o, a medo, aproveitan
via de fazer fel
dizia o Villa?a, devia recolher em breve a Bemfica; pois bem, ella iria lá com o pequeno, toda vestida de preto, e de repente, atirando-se-lh
ella de que era heroe o ultimo Stuart, o romanesco principe Carlos Eduardo; e, namorada d'elle, das suas aventuras e desgra?as,
ois dias. A partida arranjara-se unicamente para obsequiar um italiano, chegado por ent?o a Lisboa, distincto rapaz que lhe f?ra apresentado pelo secretario da Lega??o Ingleza, e com quem Pedro sympathisara vivame
carruagens parando á porta, um grande rumor encher a escada;
de desgra
es
z, feri o na
om
zer curativos na Tojeira, e voltaram logo a Lisboa. Elle naturalmènte n?o consentira que o homem que tinha ferido recolhesse ao hotel: trouxe
e
to só a mim, Senhor! E ent?o o Alencar que ia mesmo ao pé d'elle... Podia antes ter ferido o Alenca
se instante, e
med
ro ab
e alguns gr?os perdidos nas costas. Promettera-lhe que d'ahi a duas semanas podia ca?ar outra vez na Toje
e dava aquella idéa d'um principe enthusiasta, conspirador
a como S. Alteza passara, e ?ver que figura tinha?. A arlesiana appareceu, com os olhos brilhantes, a dizer á senhora, nos seus grandes gestos de Proven?al, que nunca vira um homem t?o formoso! Era uma pin
om a similitude de gostos que encontrava n'elle, o mesmo amor da ca?a, dos cavallos, das armas. Agora logo de manh?, subia para o quarto do Principe, de robe-de-chambre, e cachimbo na boca, e passava lá horas n'uma camaradagem, fazendo grogs qu
so com flores para alegrar a alcova... Maria, por fim, perguntou a Pedro, muito seria, se além de todos os amigos da casa, duas en
morado do principe. N'esse caso Venus era-lhe propicia! O napolitano
ntimidade de Arroios um estrangeiro, um fugido, um aventureiro! Demais, aquella tro?a em cima, entre grogs quentes, com guitarra, sem respeito por ella ai
esus! o que ahi v
ass
por que n'essa tarde Pedro encontrou a mo?a aos ais n
um admiravel ramo, e, com uma galanteria de principe artista da Renascen?a, um soneto em italiano enrolado entre as flores e t?o perfumado como ellas:
ma rara distinc??o, e, como di
ndido, feito como um Apollo, de uma pallidez de marmore rico: a sua barba curta e frisada, os seus longos cabellos castanhos, cabellos de m
ora??es de mulher palpitavam quando elle, encostado a uma hombreira, de claque na m?o, uma melancolia na face, exhalando o encanto pathetico de um condemnado á morte, derramava lentamente p
lla. é uma imagem!... E s?
o que se recolheram, fallou a Maria em ?irem fazer a grande scena ao papá.? Ella, porém, recusou, e com as raz?es mais imprevistas, as mais sensatas. Tinha co
nós n?o vivemos tambem em plena
e mais domestico. Era mesmo melhor p'ra os bébés. Pois bem, queria que o papá estiv
o trarei, socega... é bom tambem que seja quando meu pae partir para as aguas, para o
sposta de Pedro, beij
. Já n?o fumava; abandonara o bilhar; e vestida de preto, com uma fl?r nos cabellos, fazia crochet ao pé do candieiro. Estudava-se musica classica quando vinha o velho Ca
Todos alli o adoravam; mas ninguem mais que o velho Monforte, que passava horas, enterrado na sua alta gravata, contemplando o Principe com enterneciment
Hein? Beaucoup bie
erto, porque n'esse momento Maria tinha sempre um dos se
familias necessitadas distribui??es de agasalhos; e presidia no sal?o de Arroios, com uma campainha, as reuni?es em que se elaboravam os esta
ombra tocante de ternura grave: a Deusa idealisava-se em Ma
om um luxo de princeza; e as exclama??es, os extasis de Tancredo n?o findavam! Fizera-lhe o retrato a carv?o, a esfuminho, a aguarella; ajoelhava-se p
Pyrineos. Maria chorou, dependurada do pesco?o do velho, c
tou a fallar da reconcilia??o, parecendo-lhe bom o momento de
u calice de Bordeus. Teu pae é uma especie de sa
e, al?ando os olhos do livro, viu Pedro deante de si. Vinha todo enlameado, desalinhado, e na sua face livida, sob os cabellos revoltos,
ue succed
re dos Monfortes, voltando-lhe, trazendo á sua solid?o os dois netos, toda uma desc
filho,
orto; e levantando para o pae um rosto devastado, en
nh?... A Maria tinha fugido de casa com a pequena.
e da ra?a, cobria agora a sua casa de vexame. E alli estava! alli jazia sem um grito, sem um furor, um arranque brutal de homem trahido! Vinha atirar-se para um sophá, chorando miseravelmente! Isto indignou-o, e rompeu a passeiar pela sala, rigido e aspero, cerrando os labios para que n?o lhe escapassem as palavras de ira e de injuria que lhe enchiam o peito e
tinha raz?o, murmurav
va batiam a casa, a quinta, n'um clamor prolongado; e as arvo
que quebro
Pedro? Que sabes tu, f
partiu de casa n'uma carruagem, com uma maleta, o cofre de joias, uma creada italiana que tinha agora, e a pequena. Disse á g
? de certo muitas vezes relido, amarrot
redo, esquece-me que n?o sou digna de ti, e l
e está o pequeno?
receu re
o com a ama, t
a touca de rendas. Era gordo, de olhos muito negros, com uma adoravel bochecha fresca e c?r de rosa. Todo elle ria, grulha
chiam-se-lhe de uma bella luz de ternura; parecia esquecer a agonia do filho, a vergonh
se cha
uardo, mur
Eduard
ra?a: depois tomou-lhe na sua as duas m?osinhas vermelhas que n?o larg
Eu sou o av?. é ne
rios de repente, muito fixos, sem medo das barbas grisalhas: depois rompeu a pular-lh
o muito tempo, poz-lhe na face um beijo longo, consolado, enternecido, o seu pr
lá anda a arranjar-lhe o quar
do filho que se n?o movera do canto do
-me tudo... Olha que nos n?o
res annos, mu
rosamente pela livraria, considerou um momento o seu proprio retrato, feito em Roma a
, meu pae, t
idéas de sangue e quizera perseguil-os. Mas conservava um clar?o de raz?o. Seria ridiculo, n?o é verdade? De certo a fuga fora d'antem?o preparada, e n?o havia de ir correndo as estalagens da Europa á busca de sua mulher... Ir lamentar-se á policia, fazel-os prender? Uma imbecillidade; nem impedia que ella fosse já por esses
apagado nos dedos, n'uma voz que se calmava. Mas de repente par
ra... é uma occasi?o famosa, hein? Posso até natura
pensarás n'isso, filho, a
jantar come?ou a tocar lent
cedo, hein?
o can?ado e le
tavamos
?o jantasse. Elle ia um bocado acima, ao seu antigo quarto de solteiro
calice de genebra... Ainda
sentado, repetiu
e, vá jantar, pel
ama sabiam de certo o desgosto se moviam em pontas de pés, com a lentid?o contristada d'uma casa onde ha morte. Affonso sentou-se á mesa só; mas já lá est
em todas as cousas terriveis que assim invadiam n'um tropel pathetico á sua paz de velho. Mas no meio da sua d?r, funda como era, elle percebia um ponto, um recanto do seu cora??o onde alguma cousa de muito doce, de muito novo, palpitava
a caisse dentro. Um arrepio confrangeu o velho, e quando chamou, a voz de Pedro veiu do negro da janella; estava lá, com a vidra?a aberta, sen
criados h?o de querer arranjar o quarto, de
Pedro ergueu-se com um estreme??o, desprende
arto, hein? Faz-me be
momento de Arroios, com um largo estojo de viagem recoberto de oleado. As malas tinha-as
nso. O sr. Villa?a lá irá a
ainda lá restavam antigos frascos de toilette de Pedro: e os casti?aes sobre a m
o d'Arroios pousando o chapéo a um canto, e sempre em ponta de pés, veiu ajudal-os tambem. Pedro no entanto, como somnambulo, vol
uxou-lhe o bra?o
ranjar o quarto!
ilencio em que toda a sala ia adormecendo. Uma braza morria no fog?o. A noite parecia mais aspera. Eram de repente vergastadas d'agua contra as vidra?as, trazidas n'uma rajada, que longamente, n'um clamor teimoso, faziam escoar um diluvio dos telhados; depois havia
rra, disse Affonso, debru?
um quarto alheio, agazalhando-se-lhe no leito do adulterio entre os bra?os do outro. Apertou um i
pae, vou-me deitar. Boa noit
a m?o e sai
a m?o, sem ler, attento só a algum rumor que
squivaram em pontas de pés quando lhe sentiram os passos, e a ama continuou a arrumar em silencio os gavet?es. No vasto leito, o pequeno dormia como um Menino Jesus can?ado, com o seu guiso apertado na m?o. Affonso n?o ousou beijal-o,
a cousa, ama? pergu
meu se
revia, á luz de duas vellas, com o estojo aberto ao lado. Pareceu espantado de ver o pae: e na fac
screver, d
arripiado da friagem do
lá dois cavalos meus, emfim uma por??o de arranjos. Eu estou-lhe a escrever. é nume
eta??o que a cada momento o faziam erguer sobre o travesseiro escutar: agora, no silencio
: um creado acudia tambem com uma lanterna. Do quarto de Pedro ainda entreaberto vinha um cheiro de polvora; e aos pés da cama,
ividos, deixára-lhe uma carta lacrada com estas palav
Affonso da Maia partia com o neto e com to
cia ter distingido todo o seu negrume sobre a fachada muda, sobre os castanheiros que ornavam o pateo; dentro os criados abafavam a voz, carregados de luto; n?o havia uma flor nas jarras; o proprio encanto de S.ta Olavia, o fresco cantar das aguas vivas por tanques e r
r para Lisboa que o ve

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