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Chapter 2 No.2

Word Count: 6638    |    Released on: 06/12/2017

rda até ao molle paiz de romanza, Napoles, branca sob o azul. Era lá que tencionavam passar o inverno, n'esse ar sempre tepido junto a um mar sempre manso, onde as pregui?as de noivado teem uma

m d'isso, aquella velha Italia classica enfastiava-a já: tantos marmores eternos, tantas madonas come?avam (como ella dizia pendurada languidamente do pesco?o de Pedro) a d

para F

Maria. De noite accordava com a Marselheza; achava um ar feroz á policia; tudo permanecia triste; e as duquezas, pobres anjos, ainda n?o ousavam vir ao Bois, c

pelos novos uniformes da garde-mobile fazia Pedro nervoso. E quando ella appareceu gravida, anciou p

tir porém es

ado o casamento, aquella partida triumphante para Italia, para lhe mostrar bem que nada valiam genealogias, avós godos, brios de familia-deante dos seus bra?os nus... Agora porém que ia voltar a Lisboa, dar soirées, crear c?rte, a reconcilia??o tornava-se indispensavel; aquelle pae reti

a acariciando os cabellos de Pedro. Dize-lhe que se tiver um pequeno

em torno do ber?o d'aquelle pequeno Maia que alli vinha, morgado e herdeiro do nome... Contava-lhe a sua felicidade, com uma effus?o de namorado indiscreto: a histor

emfica. Dois dias antes o pae partira para S.ta Olavi

a e c?r de rosa, com os bellos olhos negros dos Maias. Apesar do desejo de Pedro, Maria n?o a quiz crear; mas adorava-a com phrenesi; passava dias de joelhos ao pé do ber?o, em extasi, correndo as suas m?os

da Maia. Considerava-se ent?o insultada em si mesma e n'aquelle cherubim que lhe

ente: e deante d'aquella face abrazada, onde entre lagrimas os olhos

pae,

mo uma concubina! Podia ser um fidalgo, as maneiras e

ada n'ella, romperam as qu

uem te quer! Tens só a tua m?e!

Pedro correu, envolveu-as ambas no mesmo abra?o, já en

, que come?avam agora a frequentar Arroios, riam d'aquella obstina??o de pae gothico, amuado na provincia, porque sua nora n?o tivera avós mortos em Aljubarrota! E on

ntre as rendas do seu ber?o, sensibilisou-se, veio-lhe uma das suas faceis lagrimas,

es! disse Maria, dando deante do espelho um lindo g

ricamente remobilada. E as senhoras que outr'ora tinham horror á negreira, a D. Maria da Gama que escondia a face por traz do leque, lá vieram todas, amaveis e decotada

isboa: ceiava-se á uma hora com Champagne; talhava-se até tarde um monte forte; inventavam-se quadros vivos, em que Maria se mostrara soberanamente bella sob as roupagens classicas de Helena ou no luxo sombrio do luto oriental de

pá Monforte, d'alta gravata branca, com as m?os atraz das costas, rondando pelos cantos, refugiado pelos v?os das janella

de Arroios, com a sua radiante figura de Juno loira, os diamantes das tran?as, o eburneo e o lacteo do collo nu, e o rumor das grandes s

valor de propriedades!... Podia fazel-o! o marido era rico, e

ltava as suas phrases ressoantes, por esses sophás arrastava as suas poses de melancolia. Ia dedicar a Maria (e nada havia mais extraordinario que o tom langoroso e plangente, o olho turvo, f

ite no explen

tran?as volt

o as peiores, affirmavam que os seus favores nunca teriam passado de alguma rosa dada n'um v?o de janella, ou de algum longo e suave olhar por traz do leque. Pedro todavia come?ava a ter horas sombrias. Sem sentir ciumes, vinha

m furor o charuto: e ahi, era em toda a sua al

as nuvens?, como ella dizia. Corria para elle,

u, amor? Es

o estou

t?o para

'uma caricia lenta e quente, dos pulsos aos hombros; depois, com um lindo olhar, est

do para lá como se estivesse no seu jazigo. Já se n?o fallava d'élle; em Arroios, D.

a optimo; tinha agora um cosinheiro francez explendido; St.a Olavia

a-se! ia elle dize

liz em St.a Olavia; porque nunca cessara de tremer á idéa de ver em

ra??o de Pedro a imagem do pae abandonado n'aquella tristeza do Douro. Fallou a Maria de reconcilia??o, a medo, aproveitan

via de fazer fel

dizia o Villa?a, devia recolher em breve a Bemfica; pois bem, ella iria lá com o pequeno, toda vestida de preto, e de repente, atirando-se-lh

ella de que era heroe o ultimo Stuart, o romanesco principe Carlos Eduardo; e, namorada d'elle, das suas aventuras e desgra?as,

ois dias. A partida arranjara-se unicamente para obsequiar um italiano, chegado por ent?o a Lisboa, distincto rapaz que lhe f?ra apresentado pelo secretario da Lega??o Ingleza, e com quem Pedro sympathisara vivame

carruagens parando á porta, um grande rumor encher a escada;

de desgra

es

z, feri o na

om

zer curativos na Tojeira, e voltaram logo a Lisboa. Elle naturalmènte n?o consentira que o homem que tinha ferido recolhesse ao hotel: trouxe

e

to só a mim, Senhor! E ent?o o Alencar que ia mesmo ao pé d'elle... Podia antes ter ferido o Alenca

se instante, e

med

ro ab

e alguns gr?os perdidos nas costas. Promettera-lhe que d'ahi a duas semanas podia ca?ar outra vez na Toje

e dava aquella idéa d'um principe enthusiasta, conspirador

a como S. Alteza passara, e ?ver que figura tinha?. A arlesiana appareceu, com os olhos brilhantes, a dizer á senhora, nos seus grandes gestos de Proven?al, que nunca vira um homem t?o formoso! Era uma pin

om a similitude de gostos que encontrava n'elle, o mesmo amor da ca?a, dos cavallos, das armas. Agora logo de manh?, subia para o quarto do Principe, de robe-de-chambre, e cachimbo na boca, e passava lá horas n'uma camaradagem, fazendo grogs qu

so com flores para alegrar a alcova... Maria, por fim, perguntou a Pedro, muito seria, se além de todos os amigos da casa, duas en

morado do principe. N'esse caso Venus era-lhe propicia! O napolitano

ntimidade de Arroios um estrangeiro, um fugido, um aventureiro! Demais, aquella tro?a em cima, entre grogs quentes, com guitarra, sem respeito por ella ai

esus! o que ahi v

ass

por que n'essa tarde Pedro encontrou a mo?a aos ais n

um admiravel ramo, e, com uma galanteria de principe artista da Renascen?a, um soneto em italiano enrolado entre as flores e t?o perfumado como ellas:

ma rara distinc??o, e, como di

ndido, feito como um Apollo, de uma pallidez de marmore rico: a sua barba curta e frisada, os seus longos cabellos castanhos, cabellos de m

ora??es de mulher palpitavam quando elle, encostado a uma hombreira, de claque na m?o, uma melancolia na face, exhalando o encanto pathetico de um condemnado á morte, derramava lentamente p

lla. é uma imagem!... E s?

o que se recolheram, fallou a Maria em ?irem fazer a grande scena ao papá.? Ella, porém, recusou, e com as raz?es mais imprevistas, as mais sensatas. Tinha co

nós n?o vivemos tambem em plena

e mais domestico. Era mesmo melhor p'ra os bébés. Pois bem, queria que o papá estiv

o trarei, socega... é bom tambem que seja quando meu pae partir para as aguas, para o

sposta de Pedro, beij

. Já n?o fumava; abandonara o bilhar; e vestida de preto, com uma fl?r nos cabellos, fazia crochet ao pé do candieiro. Estudava-se musica classica quando vinha o velho Ca

Todos alli o adoravam; mas ninguem mais que o velho Monforte, que passava horas, enterrado na sua alta gravata, contemplando o Principe com enterneciment

Hein? Beaucoup bie

erto, porque n'esse momento Maria tinha sempre um dos se

familias necessitadas distribui??es de agasalhos; e presidia no sal?o de Arroios, com uma campainha, as reuni?es em que se elaboravam os esta

ombra tocante de ternura grave: a Deusa idealisava-se em Ma

om um luxo de princeza; e as exclama??es, os extasis de Tancredo n?o findavam! Fizera-lhe o retrato a carv?o, a esfuminho, a aguarella; ajoelhava-se p

Pyrineos. Maria chorou, dependurada do pesco?o do velho, c

tou a fallar da reconcilia??o, parecendo-lhe bom o momento de

u calice de Bordeus. Teu pae é uma especie de sa

e, al?ando os olhos do livro, viu Pedro deante de si. Vinha todo enlameado, desalinhado, e na sua face livida, sob os cabellos revoltos,

ue succed

re dos Monfortes, voltando-lhe, trazendo á sua solid?o os dois netos, toda uma desc

filho,

orto; e levantando para o pae um rosto devastado, en

nh?... A Maria tinha fugido de casa com a pequena.

e da ra?a, cobria agora a sua casa de vexame. E alli estava! alli jazia sem um grito, sem um furor, um arranque brutal de homem trahido! Vinha atirar-se para um sophá, chorando miseravelmente! Isto indignou-o, e rompeu a passeiar pela sala, rigido e aspero, cerrando os labios para que n?o lhe escapassem as palavras de ira e de injuria que lhe enchiam o peito e

tinha raz?o, murmurav

va batiam a casa, a quinta, n'um clamor prolongado; e as arvo

que quebro

Pedro? Que sabes tu, f

partiu de casa n'uma carruagem, com uma maleta, o cofre de joias, uma creada italiana que tinha agora, e a pequena. Disse á g

? de certo muitas vezes relido, amarrot

redo, esquece-me que n?o sou digna de ti, e l

e está o pequeno?

receu re

o com a ama, t

a touca de rendas. Era gordo, de olhos muito negros, com uma adoravel bochecha fresca e c?r de rosa. Todo elle ria, grulha

chiam-se-lhe de uma bella luz de ternura; parecia esquecer a agonia do filho, a vergonh

se cha

uardo, mur

Eduard

ra?a: depois tomou-lhe na sua as duas m?osinhas vermelhas que n?o larg

Eu sou o av?. é ne

rios de repente, muito fixos, sem medo das barbas grisalhas: depois rompeu a pular-lh

o muito tempo, poz-lhe na face um beijo longo, consolado, enternecido, o seu pr

lá anda a arranjar-lhe o quar

do filho que se n?o movera do canto do

-me tudo... Olha que nos n?o

res annos, mu

rosamente pela livraria, considerou um momento o seu proprio retrato, feito em Roma a

, meu pae, t

idéas de sangue e quizera perseguil-os. Mas conservava um clar?o de raz?o. Seria ridiculo, n?o é verdade? De certo a fuga fora d'antem?o preparada, e n?o havia de ir correndo as estalagens da Europa á busca de sua mulher... Ir lamentar-se á policia, fazel-os prender? Uma imbecillidade; nem impedia que ella fosse já por esses

apagado nos dedos, n'uma voz que se calmava. Mas de repente par

ra... é uma occasi?o famosa, hein? Posso até natura

pensarás n'isso, filho, a

jantar come?ou a tocar lent

cedo, hein?

o can?ado e le

tavamos

?o jantasse. Elle ia um bocado acima, ao seu antigo quarto de solteiro

calice de genebra... Ainda

sentado, repetiu

e, vá jantar, pel

ama sabiam de certo o desgosto se moviam em pontas de pés, com a lentid?o contristada d'uma casa onde ha morte. Affonso sentou-se á mesa só; mas já lá est

em todas as cousas terriveis que assim invadiam n'um tropel pathetico á sua paz de velho. Mas no meio da sua d?r, funda como era, elle percebia um ponto, um recanto do seu cora??o onde alguma cousa de muito doce, de muito novo, palpitava

a caisse dentro. Um arrepio confrangeu o velho, e quando chamou, a voz de Pedro veiu do negro da janella; estava lá, com a vidra?a aberta, sen

criados h?o de querer arranjar o quarto, de

Pedro ergueu-se com um estreme??o, desprende

arto, hein? Faz-me be

momento de Arroios, com um largo estojo de viagem recoberto de oleado. As malas tinha-as

nso. O sr. Villa?a lá irá a

ainda lá restavam antigos frascos de toilette de Pedro: e os casti?aes sobre a m

o d'Arroios pousando o chapéo a um canto, e sempre em ponta de pés, veiu ajudal-os tambem. Pedro no entanto, como somnambulo, vol

uxou-lhe o bra?o

ranjar o quarto!

ilencio em que toda a sala ia adormecendo. Uma braza morria no fog?o. A noite parecia mais aspera. Eram de repente vergastadas d'agua contra as vidra?as, trazidas n'uma rajada, que longamente, n'um clamor teimoso, faziam escoar um diluvio dos telhados; depois havia

rra, disse Affonso, debru?

um quarto alheio, agazalhando-se-lhe no leito do adulterio entre os bra?os do outro. Apertou um i

pae, vou-me deitar. Boa noit

a m?o e sai

a m?o, sem ler, attento só a algum rumor que

squivaram em pontas de pés quando lhe sentiram os passos, e a ama continuou a arrumar em silencio os gavet?es. No vasto leito, o pequeno dormia como um Menino Jesus can?ado, com o seu guiso apertado na m?o. Affonso n?o ousou beijal-o,

a cousa, ama? pergu

meu se

revia, á luz de duas vellas, com o estojo aberto ao lado. Pareceu espantado de ver o pae: e na fac

screver, d

arripiado da friagem do

lá dois cavalos meus, emfim uma por??o de arranjos. Eu estou-lhe a escrever. é nume

eta??o que a cada momento o faziam erguer sobre o travesseiro escutar: agora, no silencio

: um creado acudia tambem com uma lanterna. Do quarto de Pedro ainda entreaberto vinha um cheiro de polvora; e aos pés da cama,

ividos, deixára-lhe uma carta lacrada com estas palav

Affonso da Maia partia com o neto e com to

cia ter distingido todo o seu negrume sobre a fachada muda, sobre os castanheiros que ornavam o pateo; dentro os criados abafavam a voz, carregados de luto; n?o havia uma flor nas jarras; o proprio encanto de S.ta Olavia, o fresco cantar das aguas vivas por tanques e r

r para Lisboa que o ve

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